Capítulo 2
Navegadores e URLs
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Este capítulo mostra o que o navegador faz com o arquivo e como ler uma URL. Você usa as páginas da Oficina Costeira, coletivo fictício de design em João Pessoa. O exemplo correspondente é 02-navegadores-e-urls, no pacote que acompanha o volume.
Este volume tem 52 capítulos. Ciclo: ler → copiar → mudar uma coisa → prever → recarregar → conferir.
O que você vai aprender
- Separar a janela do navegador do motor que desenha a página.
- Ler protocolo, domínio, caminho e consulta na URL.
- Reconhecer HTTPS pelo cadeado.
- Distinguir caminho relativo e absoluto.
- Usar a barra de endereço como ferramenta, não só como busca.
- Conferir
file://versus teste em127.0.0.1.
O navegador é programa, não “a Internet”
O navegador pede um documento, interpreta HTML e CSS e desenha a janela. Firefox, Chrome, Edge e Safari fazem esse papel.
Você interage com a interface: barra de endereço, voltar, abas, rolagem. Por baixo existe o motor de renderização, que transforma o código em pixels e em árvore de acessibilidade.
Motores diferentes existem. Blink no Chrome e no Edge. Gecko no Firefox. WebKit no Safari. Por isso a mesma página pode ter detalhe visual distinto. O HTML semântico continua o mesmo.
Abra exemplos/02-navegadores-e-urls/index.html em dois navegadores. Preveja: o texto da Oficina Costeira deve ser o mesmo. Recarregue. Confira.
Erro comum: culpar “a Internet” quando a página local não atualiza. O arquivo está no disco. Recarregue a aba certa.
Como a página aparece, passo a passo
O navegador não “abre um desenho”. Ele segue uma fila.
- Resolve o endereço (domínio vira IP, se houver rede).
- Baixa o HTML. Sem HTML não há página.
- Lê as tags e descobre CSS, imagens e scripts.
- CSS e JavaScript no início podem bloquear o desenho.
- Junta HTML e regras CSS e pinta a janela.
- Imagens chegam depois e ocupam o lugar.
Se você arrasta o arquivo para o navegador, o protocolo é file://. Não há servidor. Caminhos que começam com / apontam para a raiz do disco, não para a pasta do site.
Teste em 127.0.0.1 usa HTTP local. Publicação pública usa um servidor na Internet. São quatro situações distintas: disco, janela, localhost, publicação.
A barra de endereço é o mapa
A URL diz onde você está. Ela também diz a estrutura do site.
https://oficinacosteira.example/projetos.html?tema=farol#cartaz
- Protocolo (
https) — como os computadores conversam. - Domínio (
oficinacosteira.example) — nome do sítio. - Caminho (
/projetos.html) — qual arquivo ou pasta. - Consulta (
?tema=farol) — dados extras para filtrar ou buscar. - Fragmento (
#cartaz) — âncora dentro da página.
O www quase nunca é necessário. Se o site quebra sem www, o problema é de configuração, não de regra da Web.
No Windows, Ctrl+L foca a barra. Digite o domínio direto quando souber. Buscar o nome no Google e clicar o primeiro resultado é mais lento e mistura consulta com endereço.

HTTPS e o cadeado
http envia o texto quase em claro. Quem está na mesma rede pode ler.
https cifra a conversa. O cadeado (ou o nome do protocolo) indica certificado e canal protegido.
HTTPS ajuda em três pontos: privacidade do tráfego, identidade do servidor e integridade do que chega. Recursos como câmera ou geolocalização exigem HTTPS em publicação.
Nunca envie senha por http. Neste volume os formulários da Oficina Costeira não enviam dados reais. O exercício de Contato simula o envio na própria página, sem enviar dados.
Estudo em 127.0.0.1 não precisa de certificado pago. Localhost não é publicação.
Erro comum: achar que o cadeado prova que o conteúdo é verdadeiro. Ele prova o canal, não a honestidade do texto.
Relativo e absoluto
Um caminho relativo parte do arquivo atual.
<a href="projetos.html">Projetos</a>
<a href="assets/imagens/marca.svg">Marca</a>
Um caminho absoluto na Web começa pelo protocolo e pelo domínio.
<a href="https://developer.mozilla.org/pt-BR/">MDN em português</a>
Um caminho que começa só com / é relativo à raiz do domínio. Em file:// isso falha. Por isso, nos exemplos deste volume, os links internos são relativos ao arquivo.
Copie o menu abaixo para um index.html de teste. Mude só o href de Projetos para equipe.html. Preveja a página de destino. Recarregue e clique.
<!DOCTYPE html>
<html lang="pt-BR">
<head>
<meta charset="utf-8">
<meta name="viewport" content="width=device-width, initial-scale=1">
<title>Início — Oficina Costeira</title>
</head>
<body>
<header>
<p>Oficina Costeira</p>
<nav>
<ul>
<li><a href="index.html">Início</a></li>
<li><a href="projetos.html">Projetos</a></li>
<li><a href="equipe.html">Equipe</a></li>
</ul>
</nav>
</header>
<main>
<h1>Início</h1>
<p>Coletivo fictício de design em João Pessoa.</p>
</main>
</body>
</html>
Consulta, âncora e URL hackeável
A consulta começa com ?. Pares nome=valor se separam com &.
projetos.html?tema=farol
projetos.html?tema=lagoa
A âncora começa com # e aponta para um id na mesma página.
<h2 id="agenda-setembro">Setembro</h2>
<p><a href="#agenda-setembro">Ir à agenda de setembro</a></p>
Uma URL boa dá para editar à mão. Trocar semana-01 por semana-02 no caminho deveria levar a outro documento, se o site foi desenhado assim.

Abra o exemplo. Acrescente ?estudo=1 na barra depois do nome do arquivo. Preveja: a página da Oficina Costeira não muda, porque ainda não lê a consulta. Recarregue. Confira. A URL mudou; o HTML no disco não.
Disco, janela, localhost, publicação
Olhe a barra.
file:///B:/.../index.html— arquivo no disco.- Página desenhada — interpretação no navegador.
http://127.0.0.1:8769/exemplos/02-navegadores-e-urls/— teste local.https://algum-dominio— publicação pública. Fora do exercício.
O README do volume mostra como servir só em 127.0.0.1. Não use 0.0.0.0.
Erro comum: copiar um link file:// para outra pessoa. No computador dela esse caminho não existe.
Para treinar a barra: abra projetos.html do exemplo. Apague o nome do arquivo na URL e deixe só a pasta. Em 127.0.0.1 o servidor procura index.html daquela pasta. Em file:// a pasta pode listar arquivos ou recusar, conforme o navegador. Preveja a diferença. Recarregue. Confira.
Fragmento: acrescente id="marca" num h2 e o link #marca. O clique não troca de arquivo. A barra ganha o #. Disco igual. Janela rola.
Atividades
- Quais são as quatro partes principais de
https://oficinacosteira.example/agenda.html?mes=9#oficina? - Por que um link que começa com
/pode funcionar em127.0.0.1e falhar emfile://? - O cadeado HTTPS garante que o texto da Oficina Costeira é verdadeiro?
- No exemplo, mude só um
hrefrelativo. O que você previu e o que a barra mostrou depois do clique?
Respostas comentadas
- Protocolo
https, domíniooficinacosteira.example, caminho/agenda.html, consultames=9e fragmentooficina. - A barra
/no início aponta para a raiz do servidor. Em arquivo local não há domínio: a raiz vira o disco. - Não. HTTPS protege o transporte. O conteúdo continua sendo texto fictício de estudo.
- A barra deve mostrar o arquivo de destino no disco ou no localhost, conforme o jeito que você abriu. Se o
hrefestiver errado, a previsão falha: anote o caminho e corrija.
Referências
O arquivo completo
Referência do exemplo 02-navegadores-e-urls, reproduzida aqui para que você possa conferir sem sair da página.
assets/javascript/simulacao.js
const form=document.querySelector("#simulacao");if(form){form.querySelector("button[type=submit]").disabled=false;form.addEventListener("submit",event=>{event.preventDefault();document.querySelector("#retorno").textContent="Simulação concluída. Nada foi enviado ou guardado.";});}